terça-feira, 2 de junho de 2009

A Filocalia, uma antologia clássica de textos cristãos sobre oração, destaca o paradoxo impressionante de que a transformação seja conquistada por meio do silêncio: "Quando descobrirmos o silêncio em nossos corações, discerniremos Deus no mundo!" Ou seja, a transformação começa com a consciência de que Deus está no centro de toda a vida.

"Fica em silêncio, e conhece a Deus."

(Salmos 44,1).

Por meio do silêncio, damo-nos conta de que a graça de Deus está muito mais próxima de nós;

na verdade, ela faz mais para definir quem somos do que nós mesmos!

A transformação do coração é a profunda consciência de que

"o reino de Deus está dentro de vós"

(Lucas, 17:21).

Transformações internas exigem mudanças radicais. E atitudes concretas...

Não podemos ser transformados a menos que tenhamos antes sido limpos do que quer que se coloque contra a transformação, e tenhamos entendido o que desfigura o coração humano.

Esse processo de auto-descoberta resulta apenas da graça de Deus e nos leva a um respeito verdadeiro pela natureza humana, tanto em nós mesmos quanto nos outros. Abre caminho para nos respeitarmos cada vez mais...

Pegamos como exemplo de mudanças internas, um carro com vidro embaçado num dia frio e chuvoso de inverno. Já percebeu que o vidro embaçado por dentro não pode ser limpo por fora? E só se desembaça, quando se liga o ar quente, gradualmente, ou o ar condicionado, este processo se realiza até que possamos enxergar nítida e claramente a estrada à sua frente.

Ao tentarmos desembaçar com um pano, apenas, se o ar quente ou mais frio que a temperatura externa não circular, o vidro volta a embaçar. Não podemos mudar as pessoas nem o mundo lá fora. Mas, utilizando do poder do “livre arbítrio”, podemos modificar o mundo interior ou à nossa volta, mudando primeiro a nós mesmos; fazendo as escolhas certas, por meio da auto-observação do que realmente queremos manifestar...

Ao tomarmos atitudes concretas de nos libertamos dos registros do lixo emocional arraigados lá no fundo da crença-raiz.

O medo das mudanças nos paralisa e nos faz ficarmos agarrados a essa lixeira emocional negativa.

E, muitas das vezes, o ser humano carrega esse fardo por toda a sua vida, de forma inconsciente...

À medida que nos libertamos das ilusões, impregnadas nos EGOS, nas atitudes negativadas, cujos reflexos são o “coitadismo e o vitimismo”... a falta de humildade, por não aceitarmos pontos de vistas opostos, isso interfere no “modus vivendi”...

A evolução acontece pelo processo da auto-observação e amorização interna vai acontecendo, de forma paulatina... E o que antes nos fazia, de forma inconsciente, ficar numa situação cômoda e “confortavelmente” agarrados aos egos, traumas, dores, mágoas, orgulho, raivas, culpas, ressentimentos, vingança, etc., nos liberta... Pois a consciência de que DEUS é o centro, nos motiva a evoluirmos cada vez mais...

Assim, nos libertamos de todo o lixo emocional, das máscaras e da falsa armadura, pois nada disso precisará ser utilizado. Cair por terra, para honra de Deus-Pai... E, ao percebermos que estamos libertos, o vidro emocional interno estará na posição de “aquecimento auto-limpante”...Com o ar da bonança nele sempre circulando... Em abundância...

Então, novos ares! Mãos à obra... Nova atitude interna... Liberdade... Fluidez de pensamento! Mudança! Transparência...Esperança... Diante de fatos: novas decisões... Atitudes acertadas... E, sobretudo, a certeza absoluta de que é preciso mudar e se permitir renovar já!

Já percebeu que ninguém consegue desembaçar o vidro do carro pelo lado de fora? ...

Logo, a decisão de desembarçarmos, de fato, o nosso interior precisa ser uma atitude concreta de dentro para fora...

Aí tudo se torna claro, autêntico, precioso, nítido, límpido pela luz de Deus em nós... Assim, tire lições dessa narrativa sobre “o vidro embaçado”. Veja em que a sua vida precisa ser desembaçada... E...Lembre-se:

De dentro para fora...

Por Fátima.

Com o carinho da partilha,

Fátima, Alcides e Thayná Mayara.

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